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Emma Wicks, Representante dos Doentes do Fundo FQ
Independência A Dra. Diana Bilton, do Papworth Hospital, e o Professor Duncan Empey, do London Chest Hospital (ambos do Reino Unido) apresentaram a sua visão clínica sobre o papel dos pais em relação aos filhos adultos. Margaret Wotton, uma mãe FQ, e eu própria apresentámos alguma perspectiva interna sobre a relação entre os doentes FQ adultos e os seus pais. Todos concordámos que não há regras fixas e que a flexibilidade e a boa comunicação são essenciais. Trudy Havermans, do University Hospital Gasthuisberg na Bélgica, investigou os níveis de concordância entre os pais e os seus filhos adultos utilizando um questionário sobre a qualidade de vida relacionada com a saúde. Houve concordância no que diz respeito aos aspectos relacionados com os sintomas, incluindo a nutrição, ao passo que pais e filhos discordaram mais relativamente ao tratamento, sendo a fisioterapia o assunto sobre o qual se discute mais. Um estudo efectuado em Vancouver mostrou que, com o avanço
da idade e a progressão da doença, se levantam questões
de aderência ao tratamento, devidas a conflitos entre questões
de cuidados de saúde e de estilo de vida. Steven Wright salientou
que, ainda que existam conhecimentos científicos e clínicos,
também temos consciência dos seus limites. Genética
Lidar com a FQ
Esta sessão examinou a forma como os pais e parentes
próximos reagem aos efeitos da recepção de um diagnóstico
de FQ e um estudo sueco avaliou o impacto que este diagnóstico
tem sobre a participação futura em programas de detecção
neonatal. O diagnóstico de FQ tem efeito sobre todos os membros
da família, e sente-se que deveria ser efectuado um esforço
maior para ajudar os restantes membros da família a tornarem-se
um apoio o melhor possível para os pais. Prática Clínica na Adolescência
Perguntou-se a opinião de pais e filhos no Birmingham Children’s Hospital sobre as propostas para uma clínica de jovens. Os filhos querem começar a frequentar a clínica para adolescentes entre os 13 e os 14 anos, ao passo que os pais preferem esperar mais um ano. Os adolescentes preferem falar com os pais, enquanto os pais preferem que os filhos falem com o enfermeiro especializado em FQ. Ainda que seja oferecida ao doente jovem uma consulta individual, a maior parte dos jovens sente que não sabe o suficiente sobre a sua FQ ou que gostariam de ter um membro da família com eles. Em conclusão, o centro determinou que a Equipa FQ e os pais têm de trabalhar em conjunto e o programa seguido tem de se adaptar às necessidades individuais. Questões com os adultos
Annette Landy, do Papworth Hospital, olhou para os desafios
da FQ devidos a uma vida mais longa. Será que as pessoas com
FQ podem levar vidas normais? Será que os sonhos são realistas?
Levantam-se algumas questões, tais como a maturidade física
e psicossocial, as relações pessoais, a vida fora de casa
e a reprodução, com as quais tem de se lidar com alguma
sensibilidade. Tem de ser tida em consideração uma mudança
de atitudes relativamente à FQ em termos de aderência ao
tratamento, progressão da doença, transplantes e morte.
A forma como as pessoas se sentem em relação à
sua FQ sofre alterações consoante o seu nível de
função pulmonar. Um tema comum deste estudo foi o facto
de se esperar que a maior parte das pessoas com FQ fique em casa toda
a vida ou que volte a viver em casa após uma vida independente. Saúde das Mulheres Margaret Sherburn, da University of Melbourne, na Austrália, discutiu a prevalência e a gravidade dos sintomas de incontinência urinária (IU) nas mulheres com FQ. Este problema só agora é que está a ser reconhecido como sendo um problema generalizado e varia entre 36% a 64% das mulheres, aumentando com a idade e com um agravamento do estado dos pulmões. O estudo efectuado por Margaret mostrou haver uma maior prevalência dos sintomas do tracto urinário inferior e do intestino em mulheres com doença pulmonar crónica do que na população feminina normal e ainda que as mulheres que sofrem de IU geralmente aceitam os sintomas e fazem a gestão dos mesmos. A prevalência surpreendentemente elevada de enurese nocturna no grupo FQ requer ainda investigação posterior. Está a ser efectuada uma investigação adicional para esclarecer estes resultados. Trabalho com as minorias As análises da base de dados FQ do Reino Unido, por Jonathan McCormick, que trabalha noTayside Institute of Child Health no Reino Unido, sugeriram que o fenótipo asiático da FQ resulta num défice mais grave da função pulmonar do que com o ?F508 caucasiano. Ainda assim, vale a pena recordar que há factores sociais e culturais que poderão contribuir para a gravidade da FQ neste grupo.
Devido a um influxo acrescido de albanianos para a Itália durante a última década, Paola Catastini, do Centro de FQ da Toscana, estudou grupos de pais italianos e albanianos de crianças com FQ, com o objectivo de examinar a forma como os diferentes antecedentes culturais afectam as experiências dos pais e as suas formas de lidarem com a doença. As entrevistas de psicologia com os pais mostraram que os pais albanianos apresentavam uma atitude defensiva relativamente a aumentarem os seus conhecimentos sobre a FQ, recusando-se alguns deles a receber quaisquer informações. Estes resultados mostram que a relação que a equipa FQ deve adoptar para com os pais de grupos minoritários, bem como a quantidade de informação fornecida, precisa de ser questionada mais em pormenor de forma a conseguir obter os melhores cuidados possíveis. Detecção e diagnóstico Filippo Festini, do Centro de Fibrose Quística da Toscana, estudou as diferenças no estado clínico entre os doentes que foram diagnosticados através de detecção neonatal e aqueles que foram diagnosticados através dos sintomas. Todos os participantes tinham 15 anos de idade, não incluindo os que haviam sido diagnosticados por Meconium Ileus. Aqueles que haviam sido diagnosticados através de detecção neonatal apresentavam um estado nutricional melhor, com um menor número de doentes colonizados por Pseudomonas. A função pulmonar era semelhante nos dois grupos. Maurice Super observou os aspectos complexos relacionados com a detecção genética, concentrando-se naquilo que deve ser dito durante uma sessão de aconselhamento. Nesta situação, deverá ser permitido ao doente controlar e definir a agenda, em vez de ser o médico a dizer-lhe o que fazer. O médico terá de ser um bom ouvinte e de ter o cuidado de não procurar influenciar o doente no que diz respeito aos seus próprios valores morais. O Dr Super sublinhou o facto de ser necessária uma educação mais aprofundada para as pessoas que precisam de aconselhamento genético. Os médicos deverão certificar-se de que as pessoas com antecedentes familiares sejam aconselhadas de forma apropriada. Fisioterapia
A apresentar o caso da Fisioterapia esteve Mary Dodd, do Wythenshawe Hospital, em Manchester, no Reino Unido, que mostrou aos representantes que a fisioterapia é mais do que a simples desobstrução das vias aéreas. Os fisioterapeutas desempenham também um papel como professores, quer seja a ensinar aos doentes a utilização e os cuidados a ter com o nebulizador, ou a ajudá-los através de exercícios e técnicas de respiração. Com as preocupações relativamente recentes sobre a incontinência urinária e a doença óssea, Mary vê os fisioterapeutas a assumirem outros papéis de futuro. A maior parte dos doentes considera o fardo da fisioterapia pior do que a FQ em si e os fisioterapeutas deveriam ajudar através do estabelecimento de objectivos e de planos para contrabalançar e fardo dos cuidados necessários. Nutrição Alison Morton e a equipa de FQ do Seacroft Hospital, no Reino Unido, estudaram a questão de a Alimentação por Tubo Entérico (ATE) nocturna em doentes subnutridos melhorar o estado dietético e abrandar o declínio do estado clínico. Os resultados mostraram que a ATE contribui de facto para estabilização da infecção pulmonar, mesmo na presença de uma maior gravidade da doença, e melhora significativamente o estado nutricional do doente.
Cuidado dos Doentes
• As perturbações relacionadas com
a alimentação estão a tornar-se mais evidentes,
com uma maior concentração na questão da nutrição. O Prof. Geddes terminou afirmando que, ao mesmo tempo que têm os olhos postos no futuro, os objectivos do pessoal hospitalar deverão ser no sentido de conseguir menos tratamento e mais vida para os seus doentes. Não será esta doente quem irá pôr isso em questão.
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