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October 20, 2008
2008 marca o 19.Âș acampamento de esqui de Inverno para crianças com FC na Dinamarca

Nos Ășltimos oito anos tivemos ambos o privilĂ©gio de participar
num acampamento anual de esqui para crianças com Fibrose CĂstica a residir na Dinamarca. Somos dois
dos cinco lĂderes do acampamento que leva um grupo de cerca de 16 crianças com 11-18 anos para uma
semana de esqui nos Alpes. Ano após ano ansiamos por ver a notåvel transformação porque passam as
crianças após passarem uma semana no tonificante ar de montanha na companhia de outras crianças com
FC. Como tudo
começou A Associação Dinamarquesa de Fibrose CĂstica organiza estes
acampamentos e este ano marca o 19.Âș acampamento desde a primeira viagem em 1990. Progrediu muito
desde que os pais de uma criança com FC, Peter e Odile Fristrup, organizaram uma viagem de esqui Ă
Suécia para seis crianças. Tem crescido desde então e o acampamento tem levado crianças a destinos
em ItĂĄlia, França e Ăustria.
A ideia para o acampamento de esqui veio apĂłs conhecerem e apoiarem um grupo de
noruegueses com FC que correu na Maratona de Nova Iorque de 1981. Ver em primeira mão até que ponto
o exercĂcio fĂsico beneficiava estes atletas fez Peter entender como poderia beneficiar imenso
crianças FC na Dinamarca. Levou esta inspiração no seu regresso a casa e começou a planear uma
viagem de esqui para jovens com FC com a sua mulher, Odile, e com a Associação Dinamarquesa de
Fibrose CĂstica. Pernille, a sua filha com FC, tambĂ©m assistiu.
Depois de obterem fundos de
uma lotaria financiada pelo Estado que distribui os lucros por organizaçÔes não governamentais,
Peter e Odile tinham meios para organizar uma viagem. Foram de barco até à Suécia, apanharam dois
autocarros e chegaram, finalmente, de carro a uma casinha nos montes suecos jå a noite ia avançada.
Pedro recorda, âQuando acordĂĄmos no dia seguinte as crianças olharam para os montes com neve e
perguntaram, âTemos mesmo de descer em esquis a partir daqui?â Era a primeira vez que enfrentavam um
desafio destes e nĂŁo sabiam se iriam realmente conseguir fazĂȘ-lo.â E Peter prosseguiu, âLembro-me de
como se sentiram orgulhosos no Ășltimo dia, quando voavam valentemente monte abaixo.â
No ano
seguinte o acampamento foi organizado atravĂ©s de uma agĂȘncia de viagens e participaram dois grupos
de crianças, um com pseudomonas e o outro sem. No ano seguinte houve trĂȘs equipas de crianças, um
grupo sem pseudomonas, um com a estirpe PA crĂłnica sensĂvel a antibiĂłticos e uma com estirpes
crĂłnica PA de resistĂȘncia mĂșltipla. Peter e Odile continuaram a liderar os acampamentos atĂ© hĂĄ cinco
anos e actualmente só crianças sem pseudomonas podem participar nos acampamentos.
âO
significado dos acampamentos foi mostrar aos jovens outros jovens com os mesmos medicamentos,
tratamentos, etc., para que vissem que era natural para todos viverem do mesmo modo com a mesma
doença. Para nós era muito importante que não houvesse médicos ou enfermeiros para que aprendessem a
ser responsĂĄveis por si prĂłprios e pelos seus tratamentos,â disse Peter.
Alguns dos melhores
momentos sĂŁo quando chegamos Ă s montanhas. Quando viajamos de autocarro chegamos normalmente ao
nascer do sol e os miĂșdos sĂŁo recebidos pela luz matinal que ilumina os avassaladores picos brancos
que se erguem Ă nossa volta Ă medida que vamos subindo cada vez mais. Ă um ambiente completamente
novo para eles, longe de casa e da sua vida diĂĄria, para que sejam livres de se divertirem. Muitas
das crianças nunca estiveram nas montanhas ou até fora da Dinamarca. à óbvio pela expressão das suas
caras que começam a perceber que vai ser uma viagem Ășnica.
BenefĂcios para as crianças
Em primeiro lugar, a viagem
då a estas crianças a oportunidade de aprenderem a ser independentes em termos de estar longe de
casa mas também no que diz respeito aos seus tratamentos. A separação dos pais é uma parte
importante da viagem porque muitas vezes as crianças com FC são demasiado protegidas e vigiadas
muito de perto. E embora os lĂderes nĂŁo venham do ramo mĂ©dico, tĂȘm experiĂȘncia dos tratamentos FC e
asseguram-se de que as crianças seguem o seu plano de tratamentos. No entanto, as crianças são
encorajadas a gerir elas mesmas os seus tratamentos. Os lĂderes estĂŁo, tambĂ©m, em contacto constante
com o director executivo da Associação Dinamarquesa de Fibrose CĂstica, que age como elemento de
ligação entre os lĂderes e os pais e, se necessĂĄrio, com mĂ©dicos e enfermeiros.
Antes do
acampamento as crianças fornecem uma lista completa dos medicamentos e tratamentos de que
necessitam. Os lĂderes mantĂȘm estas listas sempre Ă mĂŁo e asseguram-se de que os medicamentos
refrigerados sĂŁo entregues Ă s crianças Ă s horas apropriadas. Neste Ășltimo ano criĂĄmos uma nova rega
que exige que as crianças tenham uma hora calma para fazer os seus tratamentos de måscara PEP
(terapia fĂsica pulmonar) e inalaçÔes, se necessĂĄrio. Muitas vezes as crianças regressam a casa com
uma nova perspectiva e os pais ficam frequentemente espantados com as mudanças nas crianças. Odile
disse, âUm dos pais disse-nos, âComo ensinaram o meu filho a tomar o medicamento sozinho, sem
supervisĂŁo, em apenas uma semana?ââ
Estar separado dos pais e longe de casa pode ser duro
para as crianças. Como qualquer outra criança longe de casa, é normal que algumas tenham saudades.
Inicialmente não havia contacto com os pais. Isto significava uma semana de separação completa, que
Ă s vezes era pior para os pais do que para os filhos. Depois passou a ser enviada uma curta mensagem
de cada criança, via fax, para a sede FC, que as reenviava, por sua vez, aos pais. Em breve a
Internet passou a ser o modo de comunicação, com actualizaçÔes e fotografias colocadas diariamente.
Estes acampamentos também dão às crianças a oportunidade de aprenderem umas com as outras.
Seja o modo como lidam com a escola, os tratamentos ou medicamentos; todas tĂȘm algo em comum a que
podem recorrer. As crianças mais velhas tornam-se, frequentemente, modelos para as mais jovens. Ser
parte de um grupo maior de gente com FC permite às crianças relacionarem-se de um modo completamente
diferente do usual. O benefĂcio do acampamento Ă© tambĂ©m de estĂmulo puro e simples. O ar fresco da
montanha e a boa forma que arranjam graças ao esqui permite-lhes absorver mais oxigénio e melhorar a
sua força fĂsica e cardiovascular.
Para os estreantes a escola de esqui Ă© obrigatĂłria e estĂĄ
disponĂvel para quem estĂĄ de volta ao acampamento, se quiserem melhorar a sua perĂcia a esquiar. Ă
normalmente durante esta experiĂȘncia de escola de esqui que as crianças iniciam a sua transformação.
Ă medida que testam as suas capacidades e limites e desenvolvem a sua perĂcia fĂsica no esqui
aprendem, também, mais sobre elas próprias, algo que podem levar no regresso a casa e aplicar à s
suas vidas. A confiança que acumulam durante a semana, através do esqui e do relacionamento com
outras pessoas com FC, permite-lhes desenvolverem-se e crescer de modos muito positivos.
Uma
das crianças que participaram no acampamento, Cindy L. SÞrensen, partilhou o seguinte sobre a sua
experiĂȘncia: âLembro-me claramente da primeira vez que fui ao acampamento de esqui. Tinha 10 anos e
adorei, realmente, porque Ă©ramos todos iguais, ou seja, tĂnhamos todos de fazer as mesmas coisas
como tomar os medicamentos e nunca me senti anormal por causa de todos os meus
medicamentos.â
âDesde entĂŁo participei em cinco acampamentos de esqui e essa experiĂȘncia
ensinou-me que apesar de ter Fibrose CĂstica posso fazer coisas como uma pessoa normal e posso tomar
conta do meu tratamento. Ă realmente muito agradĂĄvel ir esquiar porque quando temos Fibrose CĂstica
sentimos que o ar fresco nos ajuda a respirar. E como hå crianças mais velhas temos alguém que
podemos admirar. Podemos vir que estĂŁo a ir lindamente. Estes acampamentos ajudaram-me imenso porque
me fizeram sentir que não estou totalmente só com a minha situação. Posso sempre pensar nos outros
todos e sei que tenho alguém que me entende. Não é algo que os pais ou os amigos nos possam ajudar a
suportar!â
Organizar o acampamento
A Associação
Dinamarquesa de Fibrose CĂstica toma a liderança na organização do acampamento. ObtĂȘm os fundos e
patrocĂnios necessĂĄrios, que hoje em dia vĂȘm normalmente de contribuiçÔes de corporaçÔes ou
individuais. Todos os anos Ă© difĂcil obter financiamento, mas Ă© um investimento que Ă© difĂcil de
contabilizar. O financiamento obtido cobre todas as despesas das crianças, incluindo transportes,
alojamento, refeiçÔes, aluguer de equipamento de esqui e passes para esquiar. Os montantes em falta
sĂŁo normalmente pagos pelos pais, mas estes podem frequentemente conseguir que a AssistĂȘncia Social
Dinamarquesa pague parte desse valor.
A associação FC processa, também, os pedidos das
crianças e lida com os procedimentos de autorização de medicamentos, para não falar dos aspectos
logĂsticos do acampamento. Ă o esforço de uma no inteiro concluĂdo, mesmo a tempo, com o processo de
selecção e despistagem de medicamentos conduzida como esforço concertado com os centros de
tratamento da Dinamarca.
âNa Dinamarca temos uma vantagem Ășnica porque sĂł hĂĄ dois centros
médicos FC. Isto permite-nos ter uma cooperação mais estreita com cada um dos centros para garantir
que nĂŁo haverĂĄ infecçÔes transversais,â Hanne Wendel TybkjĂŠr, disse director executivo da Associação
Dinamarquesa de Fibrose CĂstica. âTemos de ser muito rĂgidos com o nosso procedimento e garantir que
os centros médicos cumprem as directrizes de segregação, que estão de acordo com as definidas pelo
centro FC de Copenhaga.â PoderĂĄ ver uma visĂŁo geral completa destes princĂpios no artigo intitulado
âPrevenção de infecçÔes transversais na FCâ, por Claus Moser e Niels HĂžjby no NĂșmero 7, Volume 1,
2006.
Ă espera do acampamento de esqui de 2008
Este ano o acampamento terĂĄ lugar em Alpe dâHuez, nos Alpes Franceses. EstĂĄ a decorrer o
processo de selecção. Este ano irão 15 crianças da Dinamarca e das Ilhas Faroe. Klavs Andreassen,
que Ă© o lĂder do acampamento para 2008 e que tem sido o lĂder do acampamento nos Ășltimos trĂȘs anos,
diz: âApesar de Alpe dâHuez ser mais conhecida por fazer parte da Volta Ă França Ă© tambĂ©m uma ĂĄrea
magnĂfica para esqui, com encostas a circundar a cidade. Ficaremos num humilde hotel no meio da
cidade, com uma encosta de principiantes e teleféricos mesmo junto ao hotel, o que é muito
conveniente para as crianças.â
E Klavs prosseguir: âTodos os anos tentamos seleccionar um
destino nos Alpes onde haja a possibilidade de a escola de esqui ser em dinamarquĂȘs e onde possamos
jantar no hotel. Pessoalmente mal posso esperar para ver os membros novos e âantigosâ da Equipa de
Esqui FC, tanto os miĂșdos como os outros lĂderes. Os novos participantes aprenderĂŁo a ser
responsåveis pelos seus próprios tratamentos e, em comparação com viagens estudantis, não haverå os
"estranhos" que tĂȘm de tomar medicamentos, mĂĄscaras PEP, etc. Todos tĂȘm de o fazer!â
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